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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
o condomínio lisboeta
João Boavida|
Ainda a propósito de Lisboa como um condomínio fechado, temos que reconhecer que tem, hoje, excelentes condições para isso. Sobretudo económicas. É, de longe, a primeira cidade do país em poder de compra. Depois, é a única zona do País com um PIB acima da média europeia (104%), enquanto o resto de Portugal se fica pelos 72% (este desequilíbrio devia obrigar a políticas fortes, se, claro, a mentalidade do condomínio fechado não dominasse).
É ainda o lugar onde reside toda a classe política significativa, quer a competente quer a incompetente. É certo que há na Província muitos putativos políticos, mas, enquanto por aqui andam, pouco contam, e quando lá chegam dão força a Lisboa na proporção em que a retiram daqui.
Acresce que não querendo parecer políticos de Província procuram apagar a sua origem esquecendo os seus eleitores. Uma coisa é certa: Lisboa (ou o melhor dela) vive na abastança em relação ao País, o que aumenta a gula de uns e o espírito superior e suspeitoso dos outros – ingredientes indispensáveis para um condomínio fechado.
Que não é de agora, já vem detrás, que se pensou até que a democracia podia inverter, mas que não conseguiu, ou não quis. Com efeito, para o actual condomínio lisboeta todo o País tem dado o seu contributo, esvaziando os bolsos. Lembram-se do J. Pimenta e da Torralta dos anos 60/70 e o que significou em capital não investido nas próprias terras?
E quanto a Serviços, para a Província, descentralização, nada, Lisboa não deixa. Já repararam na cintura de protecção que Lisboa fez em relação às suas universidades, não tendo deixado criar universidades públicas nas cidades mais próximas? Não houve esse cuidado para com o Porto ou Coimbra.
Daqui deriva, como não pode deixar de ser, uma problemática sociológica. E uma psicológica, que resulta daquela. E uma geográfica, consequência de um certo desconhecimento do País, que é muito “bem”. As vantagens psicológicas da capital são subtis e percebem-se sobretudo nas conversas, no tom algo displicente do lisboeta, num gosto de falar desembaraçado e explicado e que termina muitas vezes por «pe(r)cebe?».
A razão geográfica é determinante. Para cima é o Norte, com vocação para caceteiro, ou parolo, ou as duas coisas. Para Sul é o Alentejo das barrigas açordeiras e o Algarve, enquanto e só imensa orla de areia. E mesmo o facto de o Alentejo se ter transformado em moda, o lisboeta, ao apreciar-lhe os vinhos e ao comprar-lhe montes e herdades, encontrou a fórmula de aumentar o estatuto, reforçando, portanto, a capitalidade económica, social e política. Ou seja, factores sociológicos de peso.
A presunção da capital não seria grave (noutros países se sofre do mesmo) se não acrescentasse desequilíbrio entre Lisboa e o País. Que não é só económico, mas também social e psicológico. E isto ainda seria suportável se não fosse o irrespirável processo de noticiar Lisboa, promover Lisboa, encherem-nos com tudo o que Lisboa faz, mesmo que não interesse a ninguém, a não ser aos condóminos, claro. Aspecto irritante, sobretudo quando se faz melhor na “Província”; coisa que o lisboeta não consegue entender, até porque a comunicação social, vítima da mesma mentalidade, e como se todos os outros factores não bastassem, lhe acrescenta todos os dias o ego e o autismo.
Mas não adianta lamentar. Não tem emenda. Seriam necessários políticos de grande envergadura e coragem e uma comunicação social inteligente e com visão nacional. São as cidades da “Província” que têm que puxar pela vida, e unirem-se, em vez de entrarem em competições mortíferas. E sobretudo criarem redes e mecanismos interactivos de produção intelectual, económica, científica e cultural. E de valorização e difusão das suas realizações. Produzir a todos os níveis para criar autonomia. Produzir, usufruir, divulgar.
O que cá se faz é muito e é disso que temos que ter consciência. Para que possamos fazer muito mais e muito melhor. Quanto mais e melhor fizermos, mais condições temos para fazer. Mais e melhor. E para que cada vez tenhamos menos a ideia de que tudo se passa em Lisboa. Devemos ter a exacta medida das coisas, mas isto tem dois sentidos.
Não devemos cair na tentação de achar que o que cá se faz é sempre o melhor, vício em que cai o provinciano, nem considerar que, se é de cá, não pode ser grande coisa, vício em que o pedante costuma cair.
Um, encorreado e granítico, diz sempre que a sua terra e o que nela há é o melhor, ficando cego a todas as evidências; o outro, derretido como a manteiga para tudo o que lhe cheira a civilização, põe defeitos em tudo o que se faz na sua terra.
|as beiras|
joão boavida
Ainda a propósito de Lisboa como um condomínio fechado, temos que reconhecer que tem, hoje, excelentes condições para isso. Sobretudo económicas. É, de longe, a primeira cidade do país em poder de compra. Depois, é a única zona do País com um PIB acima da média europeia (104%), enquanto o resto de Portugal se fica pelos 72% (este desequilíbrio devia obrigar a políticas fortes, se, claro, a mentalidade do condomínio fechado não dominasse).
É ainda o lugar onde reside toda a classe política significativa, quer a competente quer a incompetente. É certo que há na Província muitos putativos políticos, mas, enquanto por aqui andam, pouco contam, e quando lá chegam dão força a Lisboa na proporção em que a retiram daqui.
Acresce que não querendo parecer políticos de Província procuram apagar a sua origem esquecendo os seus eleitores. Uma coisa é certa: Lisboa (ou o melhor dela) vive na abastança em relação ao País, o que aumenta a gula de uns e o espírito superior e suspeitoso dos outros – ingredientes indispensáveis para um condomínio fechado.
Que não é de agora, já vem detrás, que se pensou até que a democracia podia inverter, mas que não conseguiu, ou não quis. Com efeito, para o actual condomínio lisboeta todo o País tem dado o seu contributo, esvaziando os bolsos. Lembram-se do J. Pimenta e da Torralta dos anos 60/70 e o que significou em capital não investido nas próprias terras?
E quanto a Serviços, para a Província, descentralização, nada, Lisboa não deixa. Já repararam na cintura de protecção que Lisboa fez em relação às suas universidades, não tendo deixado criar universidades públicas nas cidades mais próximas? Não houve esse cuidado para com o Porto ou Coimbra.
Daqui deriva, como não pode deixar de ser, uma problemática sociológica. E uma psicológica, que resulta daquela. E uma geográfica, consequência de um certo desconhecimento do País, que é muito “bem”. As vantagens psicológicas da capital são subtis e percebem-se sobretudo nas conversas, no tom algo displicente do lisboeta, num gosto de falar desembaraçado e explicado e que termina muitas vezes por «pe(r)cebe?».
A razão geográfica é determinante. Para cima é o Norte, com vocação para caceteiro, ou parolo, ou as duas coisas. Para Sul é o Alentejo das barrigas açordeiras e o Algarve, enquanto e só imensa orla de areia. E mesmo o facto de o Alentejo se ter transformado em moda, o lisboeta, ao apreciar-lhe os vinhos e ao comprar-lhe montes e herdades, encontrou a fórmula de aumentar o estatuto, reforçando, portanto, a capitalidade económica, social e política. Ou seja, factores sociológicos de peso.
A presunção da capital não seria grave (noutros países se sofre do mesmo) se não acrescentasse desequilíbrio entre Lisboa e o País. Que não é só económico, mas também social e psicológico. E isto ainda seria suportável se não fosse o irrespirável processo de noticiar Lisboa, promover Lisboa, encherem-nos com tudo o que Lisboa faz, mesmo que não interesse a ninguém, a não ser aos condóminos, claro. Aspecto irritante, sobretudo quando se faz melhor na “Província”; coisa que o lisboeta não consegue entender, até porque a comunicação social, vítima da mesma mentalidade, e como se todos os outros factores não bastassem, lhe acrescenta todos os dias o ego e o autismo.
Mas não adianta lamentar. Não tem emenda. Seriam necessários políticos de grande envergadura e coragem e uma comunicação social inteligente e com visão nacional. São as cidades da “Província” que têm que puxar pela vida, e unirem-se, em vez de entrarem em competições mortíferas. E sobretudo criarem redes e mecanismos interactivos de produção intelectual, económica, científica e cultural. E de valorização e difusão das suas realizações. Produzir a todos os níveis para criar autonomia. Produzir, usufruir, divulgar.
O que cá se faz é muito e é disso que temos que ter consciência. Para que possamos fazer muito mais e muito melhor. Quanto mais e melhor fizermos, mais condições temos para fazer. Mais e melhor. E para que cada vez tenhamos menos a ideia de que tudo se passa em Lisboa. Devemos ter a exacta medida das coisas, mas isto tem dois sentidos.
Não devemos cair na tentação de achar que o que cá se faz é sempre o melhor, vício em que cai o provinciano, nem considerar que, se é de cá, não pode ser grande coisa, vício em que o pedante costuma cair.
Um, encorreado e granítico, diz sempre que a sua terra e o que nela há é o melhor, ficando cego a todas as evidências; o outro, derretido como a manteiga para tudo o que lhe cheira a civilização, põe defeitos em tudo o que se faz na sua terra.
|as beiras|
joão boavida
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Centralismo.by Paulo Morais.
ESPOLIADOS
|Paulo Morais - JN|
O centralismo é doença crónica de sucessivos governos. O fenómeno não é de agora. Com o advento da democracia em 1974, os governos de Lisboa, tendo perdido os territórios ultramarinos, contentam-se agora com colonizar e espoliar o resto do continente. Mas esta atitude atingiu o absurdo e a sem vergonha nos últimos meses. Os exemplos são inúmeros.
O Governo continua apostado em construir essa obra inútil e cara que é o TGV de Lisboa para Madrid, mas cancela a expansão do metro do Porto, que serve milhões de passageiros e é imprescindível para o desenvolvimento da sua Área Metropolitana. Quando o Estado ameaça falência e há necessidade de cobrar portagens nas SCUT, o Executivo opta por sacrificar o Grande Porto e o Norte. Muito em breve, um cidadão da Póvoa de Varzim que use a A28 para se dirigir diariamente ao Porto para trabalhar pagará portagem, quando já nem sequer dispõe de qualquer estrada alternativa; enquanto no IC 29, em Sintra, o serviço continuará a ser grátis. Absurdo!
O agravamento desta fúria centralizadora é o corolário dum modelo de desenvolvimento de tipo sul-americano que teve algumas das suas expressões mais emblemáticas na Exposição Universal de 1998, em Lisboa, ou nesse dispendioso mausoléu do cavaquismo que é o Centro Cultural de Belém. Para já não falar da concentração da maioria das universidades públicas em Lisboa; intolerável, pois cerca de 60% dos alunos que concluem o secundário são da Região Norte.
E quem paga afinal a capital e todos os seus privilégios? Obviamente os contribuintes. Para um orçamento do Estado, para o qual cada um de nós contribui com 8100 euros, cerca de 15% dos gastos (12 mil milhões de euros, quase o valor do défice) são para manter a corte e beneficiar os amigos do poder com negócios e prebendas. Este tributo que pagamos à capital empobrece-nos e representa uma diminuição dos orçamentos familiares, em média, de cerca de cinco mil euros. O centralismo é a principal razão da nossa pobreza e maior causa da crise económica que actualmente sofremos.
(via blog regiões)
|Paulo Morais - JN|
O centralismo é doença crónica de sucessivos governos. O fenómeno não é de agora. Com o advento da democracia em 1974, os governos de Lisboa, tendo perdido os territórios ultramarinos, contentam-se agora com colonizar e espoliar o resto do continente. Mas esta atitude atingiu o absurdo e a sem vergonha nos últimos meses. Os exemplos são inúmeros.
O Governo continua apostado em construir essa obra inútil e cara que é o TGV de Lisboa para Madrid, mas cancela a expansão do metro do Porto, que serve milhões de passageiros e é imprescindível para o desenvolvimento da sua Área Metropolitana. Quando o Estado ameaça falência e há necessidade de cobrar portagens nas SCUT, o Executivo opta por sacrificar o Grande Porto e o Norte. Muito em breve, um cidadão da Póvoa de Varzim que use a A28 para se dirigir diariamente ao Porto para trabalhar pagará portagem, quando já nem sequer dispõe de qualquer estrada alternativa; enquanto no IC 29, em Sintra, o serviço continuará a ser grátis. Absurdo!
O agravamento desta fúria centralizadora é o corolário dum modelo de desenvolvimento de tipo sul-americano que teve algumas das suas expressões mais emblemáticas na Exposição Universal de 1998, em Lisboa, ou nesse dispendioso mausoléu do cavaquismo que é o Centro Cultural de Belém. Para já não falar da concentração da maioria das universidades públicas em Lisboa; intolerável, pois cerca de 60% dos alunos que concluem o secundário são da Região Norte.
E quem paga afinal a capital e todos os seus privilégios? Obviamente os contribuintes. Para um orçamento do Estado, para o qual cada um de nós contribui com 8100 euros, cerca de 15% dos gastos (12 mil milhões de euros, quase o valor do défice) são para manter a corte e beneficiar os amigos do poder com negócios e prebendas. Este tributo que pagamos à capital empobrece-nos e representa uma diminuição dos orçamentos familiares, em média, de cerca de cinco mil euros. O centralismo é a principal razão da nossa pobreza e maior causa da crise económica que actualmente sofremos.
(via blog regiões)
quarta-feira, 17 de março de 2010
Salários de aministradores públicos
Salários Públicos
Carlos Tavares: CMVM, 245.552 euros lisboa
Antonio Oliveira Fonseca: Metro do Porto, 96.507 Euro Porto
Guilhermino Rodrigues: ANA, 133.000 Euro lisboa
Fernanda Meneses: STCP, 58.859 Euro Porto
José Manuel Rodrigues: Carris 58.865 Euro lisboa
Joaquim Reis: Metro de Lisboa, 66.536 Euro lisboa
Vítor Constâncio: Banco de Portugal, 249.448 Euro lisboa
Luís Pardal: Refer, 66.536 Euro lisboa
Amado da Silva: Anacom, Autoridade Reguladora da Comunicação Social, 224.000 Euro lisboa
Faria de Oliveira: CGD, 371.000 Euro lisboa
Pedro Serra: AdP, 126.686 Euro lisboa
José Plácido Reis: Parpública, 134.197 Euro lisboa
Cardoso dos Reis: CP, 69.110 Euro lisboa
Vítor Santos: ERSE, Entidade Reguladora da Energia, 233.857 Euro lisboa
Fernando Nogueira: ISP, Instituto dos Seguros de Portugal, 247.938 euro lisboa
Guilherme Costa: RTP, 250.040 Euro lisboa
Afonso Camões: Lusa, 89.299 Euro lisboa
Fernando Pinto: A TAP, 420.000 Euro lisboa
Henrique Granadeiro: PT, 365.000 Euro lisboa
Henrique Granadeiro: PT, 365.000 Euro lisboa
è de mim ou isto tudo é lisboa.
e o resto deste país?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Amanhã para o lado central do centralismo
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
lisboa a capital do antigo império
by VLX
E EM CASA OS PROCURADORES NÃO PROCURAM?
De Lisboa saem tantas equipas especiais de Procuradores, supostamente dos mais avisados, para irem investigar episódios em Felgueiras ou jogos do Gondomarense com um Trinca-Espinhas qualquer que eu imagino que não tenham sobrado Procuradores livres, suficientemente livres para investigarem a própria Lisboa, antiga capital do Império e hoje da pouca-vergonha.
Pois o Município que ainda há pouco se lamuriava, choramingando, por não ter dinheiro e implorava, mendigando, condições especiais (que lhe foram oferecidas) andava há anos a distribuir animadamente casinhas, lojas, ateliers e sabe-se lá o que mais aos amigalhaços. Ou aos amigalhaços dos amigalhaços. E isto corre todo o espectro partidário: todos ofereceram e a todos foram oferecidas casas sem qualquer critério, ao sabor do apetite ou das conveniências de quem mandava. Ao longo de dezenas de anos, elementos de todos os partidos deram as mãos à volta de um tal de património disperso do município para o oferecerem a quem muito bem entendiam, sem regra nem transparência. Vai daí, quem tinha conhecimentos e cunhas disponíveis dispunha também muito alegremente de uma palhota simpática a preços módicos, fosse ele pintor, escritor, jornalista, político ou até vereador ou funcionário municipal. Ou filho. Gostei particularmente daquele político (chamo-lhe Cândido) que alegava já não residir numa dessas casas por a ter cedido ao filho, justificando a transferência por si decidida por não ter meios para dar uma casa ao filho. Comovente. Também fabulosa a tese daquele que pretendia ter uma casa de reserva, para o caso de se divorciar outra vez.
E todos sabiam. E todos pediam. Todos, dentro de um círculo restrito, claro, mas que atravessava todos os partidos políticos ou aqueles mais significativos. Sem regras se distribuía pelos amigos ou a pedido destes o património público lisboeta, de forma completamente arbitrária.
Se isto se tivesse passado numa outra qualquer cidade do país cairia em Lisboa o Carmo e a Trindade e vinham de lá batalhões de Procuradores investigar, com Saldanha Sanches a comentar, indignado, a vigarice nas televisões. Como é em Lisboa e por atingir todos os amigos, os amigos todos a consideram normal e ainda se vai abafar tudo. Espero que o Senhor Procurador não a considere assim e se mexa porque é preciso saber quem deu, a quem, o quê e quando. E depois averiguar que contrapartidas se verificaram (um aparecimento na campanha eleitoral seguinte? o oferecimento de uma obra de arte? um comentário elogioso nas televisões ou nos jornais?). O que não pode acontecer é não acontecer nada.
posted by VLX
E EM CASA OS PROCURADORES NÃO PROCURAM?
De Lisboa saem tantas equipas especiais de Procuradores, supostamente dos mais avisados, para irem investigar episódios em Felgueiras ou jogos do Gondomarense com um Trinca-Espinhas qualquer que eu imagino que não tenham sobrado Procuradores livres, suficientemente livres para investigarem a própria Lisboa, antiga capital do Império e hoje da pouca-vergonha.
Pois o Município que ainda há pouco se lamuriava, choramingando, por não ter dinheiro e implorava, mendigando, condições especiais (que lhe foram oferecidas) andava há anos a distribuir animadamente casinhas, lojas, ateliers e sabe-se lá o que mais aos amigalhaços. Ou aos amigalhaços dos amigalhaços. E isto corre todo o espectro partidário: todos ofereceram e a todos foram oferecidas casas sem qualquer critério, ao sabor do apetite ou das conveniências de quem mandava. Ao longo de dezenas de anos, elementos de todos os partidos deram as mãos à volta de um tal de património disperso do município para o oferecerem a quem muito bem entendiam, sem regra nem transparência. Vai daí, quem tinha conhecimentos e cunhas disponíveis dispunha também muito alegremente de uma palhota simpática a preços módicos, fosse ele pintor, escritor, jornalista, político ou até vereador ou funcionário municipal. Ou filho. Gostei particularmente daquele político (chamo-lhe Cândido) que alegava já não residir numa dessas casas por a ter cedido ao filho, justificando a transferência por si decidida por não ter meios para dar uma casa ao filho. Comovente. Também fabulosa a tese daquele que pretendia ter uma casa de reserva, para o caso de se divorciar outra vez.
E todos sabiam. E todos pediam. Todos, dentro de um círculo restrito, claro, mas que atravessava todos os partidos políticos ou aqueles mais significativos. Sem regras se distribuía pelos amigos ou a pedido destes o património público lisboeta, de forma completamente arbitrária.
Se isto se tivesse passado numa outra qualquer cidade do país cairia em Lisboa o Carmo e a Trindade e vinham de lá batalhões de Procuradores investigar, com Saldanha Sanches a comentar, indignado, a vigarice nas televisões. Como é em Lisboa e por atingir todos os amigos, os amigos todos a consideram normal e ainda se vai abafar tudo. Espero que o Senhor Procurador não a considere assim e se mexa porque é preciso saber quem deu, a quem, o quê e quando. E depois averiguar que contrapartidas se verificaram (um aparecimento na campanha eleitoral seguinte? o oferecimento de uma obra de arte? um comentário elogioso nas televisões ou nos jornais?). O que não pode acontecer é não acontecer nada.
posted by VLX
quarta-feira, 7 de maio de 2008
centralismo ou seja.........lisboa
quarta-feira, 23 de abril de 2008
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