
quarta-feira, 10 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
O Norte visto pelo Miguel Esteves Cardoso
Cultura da Gallaecia
“Primeiro, as verdades. O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram. Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde- rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente. No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas. O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso. As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos. O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores. Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte". Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar. O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?” - Miguel Esteves Cardoso
quinta-feira, 4 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
Obrigado João C.Costa
João C.Costa
«Obrigado à Wallpaper por considerar o restaurante Bhule, no Porto, um dos melhores restaurantes do ano de 2009;
Obrigado à revista Aviation Weekly por considerar a fotografia do Red Bull Air Race tirada no Porto / Gaia em 2009 a melhor fotografia do ano aeronáutico;
Obrigado ao Times de Londres por considerar o edifício da Casa da Música um dos cinco mais marcantes da época;
Obrigado ao The Guardian por considerar a Livraria Lello a terceira mais bela do mundo;
Obrigado à revista Wine Spectator por, repetidamente, considerar alguns vinhos do Douro / Porto dos melhores do mundo;
Obrigado ao Financial Times por considerar o novo estádio de Braga um dos quatro "beautiful grounds";
Obrigado à revista "Travel&Leisure" por considerar o Porto um dos destinos mais charmosos do mundo;
Obrigado ao International Architecture Award por referir o edifício Burgo do arquitecto Souto Moura;
Obrigado aos Irlandeses do Norte por se inspirarem no Dragão para a construção do seu novo Estádio Nacional;
Obrigado à ECCS por atribuir ao aeroporto Francisco Sá Carneiro o prémio de arquitectura metálica.
Quanto aos que acham que estas classificações valem o que valem, só lhes digo uma coisa: Shame on you!»
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
de uma "lavandaria" perto de si:(by Jorge Fiel)
Como eu gostava de ter sido um dos bravos que a 9 de Julho de 1832 desembarcaram no Mindelo e acompanharam D. Pedro IV até ao Porto, onde o exército libertador esteve durante mais de um ano cercado pela tropa realista, leal a D. Miguel, o rei absolutista e usurpador.
O cerco do Porto (Julho 1832-Agosto 1833) é uma das mais belas e gloriosas histórias da minha cidade, que em tributo à sua heróica resistência, conquistou o direito a inscrever no seu brasão o qualificativo de “mui nobre, invicta e sempre leal”, concedido por D. Pedro IV de Portugal – ou D. Pedro I do Brasil.
Nascido no ano da Revolução Francesa (1789), o Rei Soldado foi, no século XIX, um misto, avant la lettre, de Amílcar Cabral e Che Guevara.
É difícil não simpatizar com um rei anti-colonialista que ao proclamar a independência do Brasil (dando o célebre grito do Ipiranga) prescindiu do trono de Portugal.
É difícil não simpatizar com um imperador que mostrou o desapego ao poder ao abdicar da coroa brasileira, nove anos depois de ter ser aclamado, para assumir o comando do exército que libertou o país do jugo absolutista que o seu irmão Miguel queria impor, faltando ao que lhe tinha prometido.
Apesar de ter faltado tudo na cidade, durante os longos e perigoso 13 meses que durou o cerco, eu gostaria muito de ter estado a lutar pela liberdade e os outros ideais liberais, de arma na mão, ao lado de Alexandre Herculano, Joaquim António de Aguiar ou Almeida Garrett (quem sabe teria ganho o direito a entrar para a toponímia e ser nome de uma avenida ou de um praça!).
Apesar de correr o risco de encontrar a morte, por tifo, cólera ou na ponta de uma bala realista, eu adoraria ter participado na corajosa defesa da Serra do Pilar, comandada pelo general Torres, e de ter estado sob as ordens do marechal Saldanha na batalha que rechaçou uma incursão realista no lugar que, em homenagem à bravura dos defensores do Porto, se viria a chamar a rua do Heroísmo.
Ao cabo de um ano, com o apoio da população tripeira, os 12 mil soldados do exército libertador (o contingente dos bravos do Mindelo foi engrossado pelos voluntários, à época conhecidos por “polacos”) aguentaram sitiados as ofensivas dos 60 mil soldados realistas e lograram romper o cerco e partir à conquista de Lisboa.
D. Pedro jamais esqueceu o vibrante apoio das gentes do Porto. Para lhes agradecer, usou o gesto sem precedentes de deixar o seu coração em testamento à cidade.
Como eu gostaria de ter escrito isto.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
adeptos do benfas aplaudem golos do Porto
in Publico(Inimigo publico)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
independencia-norte
Destinatário: Estado Português e Assembleia da República
Petição "Independência da Região Norte de Portugal"
http://www.peticao.com.pt/independencia-norte
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
o túnel da luz
Segundo o Expresso, o relatório de segurança da PSP sobre o que se passou no túnel da Luz confirma inequívoca e indiscutivelmente que os jogadores do FCP foram provocados pelos stewards da Prossegur contratados pelo Benfica para, supostamente, garantirem a segurança das pessoas.
Esse relatório foi enviado para o DIAP e para a Liga a 4 de Janeiro (há um mês) e será, no mínimo, um pouco mais independente do que as declarações dos responsáveis do Benfica, dos tais stewars e da empresa de ‘segurança’ do Benfica.
Parece também que o Presidente da CD da Liga veio já dizer que o inquérito se está a fazer dentro dos prazos processuais previstos e, na mesma linha, o assessor do Benfica (um tal de João Gabriel) veio dizer que o FCP não tem razão de queixa porque se a pena mínima for de três meses os jogos de suspensão serão descontados.
A imbecilidade da afirmação do assessor é evidente: parte do princípio (ele lá saberá…) de que os jogadores do FCP serão castigados. Só que a tolice não funciona se os mesmos jogadores forem absolvidos.
A imbecilidade da afirmação do outro também é evidente. Qualquer um sabe que são urgentes os processos em que estejam arguidos presos preventivamente. Numa situação destas como a de que falo, em que existem jogadores suspensos, seria natural que o inquérito da Liga fosse mais rápido. Mas isso possivelmente não interessa.
De resto, o inquérito e as averiguações são de uma simplicidade infantil. Desde logo porque uns tais de stewards de uma empresa de segurança privada contratada por um clube (o Benfica) não são seguramente as pessoas que a norma em causa visava. E com isto o assunto não merece mais caracteres.
Depois, porque é já do domínio público que esses tais de stewards provocaram ignobilmente os jogadores do FCP. Sejam do FCP ou de outro clube qualquer (e em “outro clube qualquer” incluo obviamente o Benfica), os jogadores não devem nem têm de ser provocados por este tipo de gente que supostamente deveria estar a garantir a segurança e a proteger os próprios jogadores que vão de boa fé a casa do adversário.
Por fim, por uma evidência: se não fossem provocados, que motivo teriam os jogadores do FCP para agredir uns quantos seguranças? Se fosse uma zaragata entre jogadores de ambas as equipas, ainda poderiam existir dúvidas. Mas seguranças? Alguém acredita que qualquer jogador de futebol perca um segundo a incomodar-se com os tipos de colete se não for por eles incomodado? Que saiba sequer a cor do cabelo deles? Que olhe para eles? Um jogador de futebol, qualquer que seja o clube e por muito mal disposto que estivesse, lembrar-se-ia de agredir gratuitamente pacatos e inocentes seguranças? – A história não faz sentido nenhum. A confusão deu-se porque os ‘seguranças’ do Benfica a provocaram.
Por isso é manifesto que a alegada agressão de Sapunaru (quanto a Hulk parece ter havido uma tentativa falhada) ao steward que o insultava e empurrava se deveu exclusivamente ao comportamento desses stewards. Num país decente, os jogadores do FCP teriam já recebido um pedido de desculpas do Benfica e o clube da Luz seria severa e rapidamente punido pela CD da Liga por não só não garantir a segurança dos jogadores adversários nas suas instalações como também por permitir que os supostos seguranças provoquem os jogadores adversários. Mas isso seria num país decente e com gente decente. E nada nos Liga a isso.
posted by VLX
Grande posta do Lobo Xavier (no mar salgado)
sábado, 30 de janeiro de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
fedorentos.o que é ser gato fedorento
Grande JNPC
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Turismo de portugal
2. O Douro é Património Mundial da Humanidade;
3. Foz Côa é Património Mundial da Humanidade;
4. Guimarães vai ser Capital da Cultura em 2012;
5. Braga tem um dos mais belos estádios de futebol do mundo;
6. O F.C. Porto é o clube português com mais títulos internacionais de Futebol;
7. A Universidade do Porto é a preferida por estudantes estrangeiros, por ser prestigiada a nível internacional;
8. A Livraria Lello é considerada uma das mais belas do Mundo;
9. O Vinho do Porto continua a ser o produto português mais conhecido no Mundo;
10. A Sogrape, em Gaia, produz o vinho de mesa português mais divulgado e conhecido no Mundo, o Mateus Rosé;
11. O Vinho Verde é o vinho português com mais potencial nos mercados internacionais, por ser tão diferente e original;
12. O restaurante Bhule é um dos cinco finalistas mundiais para Restaurante do Ano 2009;
13. O edifício da Casa da Música foi considerado um dos edifícios mais marcantes da década que ora finda, a nível mundial;
14. Temos o Siza (Serralves e não só) e o Souto Moura (Casa das Artes e não só;
15. A revista americana Aviation Week considera a fotografia do Red Bull Air Race tirada no Porto a melhor fotografia do ano aeronáutico, todas as categorias;
16. Temos o Gerês e Montesinho;
17. As Festas da Senhora da Agonia em Viana do Castelo, que levam mais gente que o Rock in Rio (Lisboa);
18. Temos Coimbra a uma hora de viagem;
19. Uma Gastronomia ímpar, ainda que sem estrelas Michelin...
20. E temos as Francesinhas!
Será que perante esta realidade,ainda que tão sucinta e só para servir de exemplo, o Porto, o Douro, o Minho, Trás-os-Montes não merecem mais atenção por parte do organismo do estado central citado em epígrafe?
Será que não merecemos um Allgarve? Ou será que a ignorância e o sectarismo já atingiram um estádio patológico tão avançado que não há cura a não ser talvez...a Regionalização ou... uma aproximação e ligação cada vez mais estreitas com a Galiza?
Reflictam e ajam... antes que seja demasiado tarde!
JOSÉ ALBINO SANTOS NOGUEIRA
(do blog regionalização)























